bloco de notas para anotações sobre... AMÉRICA,PORTUGUÊS.LUGARES.LATINA.PESSOAS.EDUCAÇÃO.SITUAÇÕES.BRASIL.POPULAR.SOCIOLOGIA.CLASSE.COLÔMBIA.GERAÇÕES.HERANÇAS.BOLÍVIA.ETNIA.POLÍTICA.VIOLÊNCIA.LITERATURA.
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lunes, 5 de marzo de 2012
viernes, 15 de julio de 2011
ESO DE DECIRSE COMPANERO
"A veces pienso
cuando los hielos calan
en momentos de soledad
Habrá valido la pena
o acaso me equivoqué
y la ruta dispareja del pueblo
no tiene salida?
al ver la luz al final del tunel
a veces me pregunto
Y si lo que hay después
es otro nuevo socavón
con su respectiva explotación
y sus dolores inútiles?
Son tus ojos candidos
los que me contestan
y tus besos los que me confortan.
Son tus ansias de saber
las que espantan los miedos
y lo compruebo al verte feliz
sonriendo
corriendo desnuda
entre maizales autóctonos
que sacan hilos de sangre a tu plantas
enrojeciendo la tierra lodosa
recién nutrida por la lluvia.
Entonces se dissipan mis dudas
y sin miedos doy nuevamente al pueblo
mi mano y mi canto de viejo y empedernido amante
que se sabe fuerte caminando entre espinas
juntando las letras que gritan:
Companera! Companero!
No hay otra vía que el amoroso sendero
de la revolución y el pueblo!"
(Melisa Cosilión Carmo y Enrique Cisneros Lujan)
miércoles, 6 de abril de 2011
Entrada de la muerte
La escuela del mundo al revés es la mas democrática de las instituiciones educativas. No exige exame de admission, no cobra matricula y gratuitamente dicta sus cursos... a todos y em todas partes!
El mundo al revés... premia al revés: desprecia la honestidad, castiga el trabajo, recompensa la falta de escrúpulos y alimenta el canibalismo!.. La injusticia... dicen... es ley natural.... pois la naturaleza... asi ensenam... recompensa los mas aptos y castiga a los inutiles... ¿Alguien se recuerda de Charles Darwin?
Hablan de lo narcotráfico pero la economia mundial és la mas eficiente expression del crime organizado, donde las empresas grandes hacen la digestion de las mas chicas... y los que estan em los mas altos niveles de la “escala social” devoran a los de abajo y ensenan-nos a hacer lo mismo para que quizá nos tornemos grandes tambien... pero los grandes.... elles pratican la impunidad...
ELLES TIENEN LAS LLAVES DE LAS CÁRCELES!
¿Lo que estan haciendo aça? No van aprender mucho con nosotros! Que volvan a sus casas... y em el camino, miren por las calles súcias... la calle si, les puede ensenar mas! Miren y reflitan:
¿Será esta liberdad, la liberdad del consumo, la única liberdad possible? ¿Estan condenados a morrir de hambre, de miedo ou aborrimiento?
Quizá si! Pero ya esta visto que no hay desgracia sin gracia, ni cara que no tenga su contra-cara, ni desalineto que no busque su desalineto! NI TAMPOUCO HAY ESCUELA QUE NO ENCUENTRE SU CONTRA-ESCUELA!..
(adaptação de "La escuela del mundo al revés", Galeano, apresentada durante início de 2007 em conjunto com jovens da Comunidad Inti Phaj'si, em El Alto, Bolívia)
lunes, 4 de abril de 2011
colonialidades: crônica sobre medidas assimétricas
Estar em um aeroporto internacional, em uma das cidades mais fascista da Bolívia (Santa Cruz de la Sierra), é uma experiência etnografica única!
Depois de passar pela interpol, pelo controle anti-drogas (onde me incharan las pelotas por causa de meia libra de coca) e por lojas onde tudo custa US$, sento-me na sala para "fumadores" e começo a escutar a conversa entre um velho careca dinamarques e um não tão velho, mas cabeludo, espanhol.
Ambos são business-man: o careca trabalha com plantio, processamento e importação (ou seria exportação?) de soja não-transgênica; o cabeludo com corte, processamento, im(ou ex?)portação e construção de casas de madeira... mas uma coisa tem em comum para começar a conversa: odeiam viver em La Paz! Sempre que possível fogem desta cidade andina "sucia y pobre", onde não encontram "buena comida o cualquier servicio".
Fumam como loucos seus malboros e vão contando sobre seus trabalhos... inclusive medem os salários que pagam para seus funcionários sudamericanos: a espanha paga 1200 bolivianos por mes (e chega a afirmar que paga mais que o salario medio local); a dinamarca paga 90 US$ para os seus (e afirma que pagaria ate 200 US$ mas não encontra bons trabalhadores)... O outro contesta a essa afirmação da seguinte maneira: "Acá no és europa pués!"... y se cagan de risas enquanto escrevo estas linhas.
Logo de acender outro cigarro que custa mais que a alimentação diária total de um niño boliviano, o careca diz: "En dinamarca nadie trabaja por minos de 3.000 euros. Estamos botando nuestros trabajadores en la calle!"
"Claro", contesta o cabeludo, "nosostros también! Importamos todo ahora de sudamerica. Todo acá es mas barato... pero están percibindo eso y están empezando a subir todos los precios!"
Sim! os preços aqui estão subindo vertinosamente. A libra da quinua que se comprava por 3 bolivianos a 3 anos atrás, considerada como "comida de indio", agora é exportada para EUA e Europa como o "cereal mais completo". Já não se encontra facilmente nas feiras de El Alto... e quando se encontra o preço já é o dobro!
Os "gringos" (carecas ou cabeludos) continuam chegando, os preços sobem... e o salário local segue estancado! A séculos, as medidas globais, devido a colonialidade, continuam assimétricas!
(publicado tambem em http://doc-terral.blogspot.com/)
Depois de passar pela interpol, pelo controle anti-drogas (onde me incharan las pelotas por causa de meia libra de coca) e por lojas onde tudo custa US$, sento-me na sala para "fumadores" e começo a escutar a conversa entre um velho careca dinamarques e um não tão velho, mas cabeludo, espanhol.
Ambos são business-man: o careca trabalha com plantio, processamento e importação (ou seria exportação?) de soja não-transgênica; o cabeludo com corte, processamento, im(ou ex?)portação e construção de casas de madeira... mas uma coisa tem em comum para começar a conversa: odeiam viver em La Paz! Sempre que possível fogem desta cidade andina "sucia y pobre", onde não encontram "buena comida o cualquier servicio".
Fumam como loucos seus malboros e vão contando sobre seus trabalhos... inclusive medem os salários que pagam para seus funcionários sudamericanos: a espanha paga 1200 bolivianos por mes (e chega a afirmar que paga mais que o salario medio local); a dinamarca paga 90 US$ para os seus (e afirma que pagaria ate 200 US$ mas não encontra bons trabalhadores)... O outro contesta a essa afirmação da seguinte maneira: "Acá no és europa pués!"... y se cagan de risas enquanto escrevo estas linhas.
Logo de acender outro cigarro que custa mais que a alimentação diária total de um niño boliviano, o careca diz: "En dinamarca nadie trabaja por minos de 3.000 euros. Estamos botando nuestros trabajadores en la calle!"
"Claro", contesta o cabeludo, "nosostros también! Importamos todo ahora de sudamerica. Todo acá es mas barato... pero están percibindo eso y están empezando a subir todos los precios!"
Sim! os preços aqui estão subindo vertinosamente. A libra da quinua que se comprava por 3 bolivianos a 3 anos atrás, considerada como "comida de indio", agora é exportada para EUA e Europa como o "cereal mais completo". Já não se encontra facilmente nas feiras de El Alto... e quando se encontra o preço já é o dobro!
Os "gringos" (carecas ou cabeludos) continuam chegando, os preços sobem... e o salário local segue estancado! A séculos, as medidas globais, devido a colonialidade, continuam assimétricas!
(publicado tambem em http://doc-terral.blogspot.com/)
miércoles, 30 de septiembre de 2009
respirando [en] el Alto
(ou acullicando en El Alto).
....Há mais ou menos 2 horas, llegué al alto, en El Alto, cerca de 4.000 m acima do nível do mar. Estou no districto 8, bairro alteño onde fica a sede da Comunidad Inti Phajsi, a esperar o grupo que esta realizando todos os sabados algumas "visitas" ao hospital infantil onde, vestidos de payazos, vão divertir e animar as crianças que estão no leito deste hospital.
....Enquanto espero fui caminhar até uma das paisagens mais lindas que já conheci: à minha frente e abaixo (uns 500 metros abaixo) se estende um vale que ostenta um pequeno lago. Neste vale se encontra uma comunidade "indígena", ou melhor, original originária, muito antiga (estão lá a mais de 3000 anos), que nem mesmo os colonizadores, nem o Estado, conseguiu desalojar.
....Ao fundo deste hermoso vale, ergue-se de sobressalto os deuses protetores dos andes: Illimani, coberto de gelo e nuvens de tal forma que não se avista seu topo, Morurata com sua cabeça cortada em épocas mitológicas por um Inca, devido seu enorme orgulho de ser o morro mais alto (diz-se que sua cabeça caiu onde agora é o terceiro deus andino, e símbolo da cidade de El Alto... Wayna Potosi.)
....O primeiro impacto que o meio causa em mim é a falta de ar. A necessidade de mais ciclos respiratórios (inspirar/expirar) para suprir a quantidade de oxigênio que meu corpo esta acostumado... e uma certa dor de cabeça constante como conseqüência da pressão.
....Espero me acostumar em alguns dias, e ai entra um tema bem controvertido para quem não vive em lugares tão altos ou desconhece a cultura andina: la hoja de coca.
....Primeiramente vale lembrar a diferença entre a folha de COCA e a COCAína. Definida como entorpecente estimulante do sistema nervoso pela OMS (a famosa Organização Mundial da Saúde) e declarada ilegal pela ONU (a degenerada Organização das Nações Unidas) e pela maioria dos Estados Nacionais do mundo, a cocaína é um pó branco utilizado normalmente por vias respiratórias (se cheira!) e possui um alto poder de vício, sendo produzida através do zumo de toneladas de folhas de coca, zumo este processado diversas vezes por produtos quimicos como álcali (solvente orgânico como querosene ou gasolina) e ácido sulfúrico.
....Já a folha de coca por si só é uma planta com reconhecidas propriedades medicinais (como exemplo o "mal de altura"), de forma que seu uso remonta a culturas ancestrais originárias através de chá ou "mascando" um bolo de folhas (acullico). Em momentos de encontro comunitário, em assembléias coletivas, espaços de formação, ensenanza y aprendizagen, esta folha é compartida entre todos presentes, pois seu uso alimenta o debate, seu espirito protege a comunidade... assim, a folha possui um elemento místico e espiritual, sendo usada em rituais e oferendas (não é difícil encontrar no altiplano boliviano yatiris, ou "xamãs", que entre outras, realizam a leitura da sorte com folhas de coca, assim como oferta-la a nossa mãe Pacha).
....Vale destacar também que a folha de coca tem se tornado um símbolo identitário entre os movimentos indigenistas, um símbolo dos povos submetidos à dominação colonial desde a tal "descoberta das índias ocidentais", de instituições e praticas sócio-culturais subjugadas por uma pretensa superioridade euro-americana. É um símbolo de resistência, da luta e da cultura destes povos, de tal forma que no começo deste ano o presidente da Bolívia, Evo Morales Ayma, apresentou uma solicitação à ONU de descriminalização e legalização da folha de coca, através da sua retirada da lista de entorpecentes proibidos pelas convenções internacionais: "A folha de coca não é cocaína, não é nociva para a saúde, não provoca males físicos nem dependência", enfatizou Morales, que, para reforçar sua causa, mascou algumas folhas diante dos ministros dos 53 países membros da comissão.
....A ONU sinalizou que irá analisar o pedido, inclusive um estudo efetuado em 1995 pela tal OMS concluiu, com efeito, que "o uso de folhas de coca não parece ter efeitos físicos negativos, podendo ser até que tenha valor terapêutico"... me pergunto se alguem da ONU, ou da tão nobre OMS, se preocupa com o problema de uma outra coca: a COCA-cola?!?!
(25-07-09)
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